terça-feira, 20 de outubro de 2009



Palavras às vezes ferem mais que espadas, mas também o silêncio. Quando da boca pra fora, nem sempre as palavras surtem efeito tão doloroso, mas muitas vezes podem ser tão afiadas quanto lâminas ao serem proferidas. E palavras ditas não voltam; isto é fato. Difícil esquecê-las.

Mas e o silêncio? Muitas vezes vale mais que um discurso inteiro e pode tanto ser doce e suave como um simples olhar enamorado como também pode ser amargo e ter espinhos com o calar da voz. Antes ser ignorante às entrelinhas do que ter a capacidade de decifrá-las. Antes a intuição faltasse como uma simples falha no recebimento de um arquivo. Antes a alienação e insensibilidade e nada seria tão incômodo.

O computador deu pau. Formatação urgente, mudança de sistema operacional e boa sorte.

domingo, 27 de setembro de 2009

-Knock! Knock!
-Is there anybody there?
-No, not anymore.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Kill me, please!


Ato 1- Cena 1

Um casal conversa num bar (na verdade, num desses "pega-bêbo-metido-a-underground"), já bem perto do nascer do sol. Clima de azaração e uma certa canção de rock como música de fundo:

Ela: -Adoro essa música de Bowie!
Ele: -Isso nunca foi Bowie.
Ela: -É sim, tenho certeza.
Ele: -Não. Isso é Talking Heads.
Ela: (Muda)
Ele: - (Risos)
Ela (completamente embaraçada): -Eu sempre pensei que isso fosse David Bowie.
Ele: -Tudo bem, isso não é da sua época. Você não é obrigada a saber.
Ela: -Isso é da minha época sim.
Ele: - Não, você deve ser do tempo da "TV Colosso".
Ela (mais envergonhada ainda): -Não, sou da época do Balão Mágico mesmo. Infelizmente Talking Heads é da minha época. A questão aqui foi ignorância mesmo.
Ele: (Mudo, mas com um risinho irônico na face)
Ela (à parte): - Não sei se fico feliz por ele ter achado que eu era uma pirralha ou se me mato por minha ignorância.
Ele: - Lady, don't mind!

domingo, 6 de setembro de 2009

My own enemy



Tornando-me especialista na arte da auto-sabotagem. A cada dia que passa, consigo superar meus próprios recordes. Incrível essa capacidade de ser sua própria inimiga.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Adiando a vida

E hoje, quem eu posso dizer que sou? Uma pessoa que desistiu de todas as oportunidades que a vida ofereceu. Quem eu poderia ser é, sem dúvida, alguém de quem eu me orgulharia.

terça-feira, 28 de julho de 2009

"Then again the same old story..."



É como um amigo diz: existem coisas que não mudam nunca. Os hábitos são os mesmos ou pelo menos parecidos; os vícios, os piores, como sempre, e até o emprego é aquele mesmo de dez anos atrás, sem muitas perspectivas de mudança ou ascensão. A diferença agora é a forma de encará-lo: com mais maturidade, profissionalismo e responsabilidade (justiça seja feita), virtudes desconhecidas em outros tempos, diga-se de passagem. Em algum aspecto tinha que se evoluir e a cabeça... sim, anda mais ajuizada que antes (embora muitas vezes não pareça), mas ao menos reconheço os momentos em que devo optar pelo que é mais sensato. Convenhamos que uma boa dose de sensatez é bem mais interessante do que as conseqüências de uma vida desregrada e hedonista. Mas depois é sempre aquela velha história, como o hamster correndo em sua roda e que nunca vai a lugar algum. Até mesmo alguns personagens (pra não dizer assombrações) insistem em permanecer na história, o que muitas vezes faz parecer o mesmo cenário de uma década atrás.

A preferência por alvos nem sempre atingíveis é que parece ser imutável, como se já fizesse parte da essência, algo já tão intrinsecamente ligado à personalidade, que mais parece uma inclinação patológica, em pleno século XXI, para o byronismo. Nos tempos de hoje os seguidores do “mal do século” denominar-se-iam "emos"? Bom, então eu me enquadraria perfeitamente nesse rótulo. Sorte que não ligo pra convenções estereotipadas alheias e acredito que até consigo disfarçar bem esse meu lado sentimentalóide. Os alvos nem sempre são os mesmos, mas os obstáculos estão sempre lá, da mesma forma, como se fossem fundamentais para a continuidade de tudo. Como se as barreiras tivessem um sabor bem mais agradável do que as coisas de fácil acesso. Plagiando Brian, personagem de Jason Lee em Vanilla Sky: “the sweet isn’t so sweet without the sour” (o doce não é tão doce sem o amargo). Nada mais verdadeiro. Patético, mas acredito que essa seja a verdade não só pra mim, mas pra muita gente de só conseguir saborear o lado doce da vida depois de ter passado por maus momentos. Essa é a minha verdade.

A teoria da corrida do hamster parece ser absoluta, mas no fundo, deixando o pessimismo um pouco de lado, eu acredito que as coisas ainda vão mudar. Quem sabe amanhã, quem sabe na próxima década, quem sabe só na velhice, mas eu creio que as mudanças ainda virão... Porque tudo na vida tem sua hora certa e nada acontece por acaso.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Depois da tormenta, a calmaria. E que calmaria! =/



O porquê deste blog andar meio parado. Dessa vez nem é falta de tempo como já ocorreram diversas outras. Ausência de idéias acompanhada de poucas (diga-se nenhuma) perspectivas de mudanças no campo profissional e/ou emocional seriam os motivos mais próximos; até porque inspiração e vida agitada pra mim são sinônimos, andam sempre de mãos dadas. De acordo com a lógica (a minha, claro), se o que existe é monotonia, não há assunto postável. E isto é fato.

Afinal, o que se deve escrever quando tudo permanece em inércia? Se bem me lembro, uma das propostas iniciais de um blog (ou nem sempre, mas aqui é o caso), nada mais é do que uma espécie de diário; logo, a necessidade de assuntos, no mínimo interessantes ou extraordinários, em vez de uma mera descrição de uma vidinha (no diminutivo mesmo, intencionalmente pejorativo) pacata e repleta de mesmice.

Devo falar do tempo pra quebrar o gelo? Ou escrever sobre recordações de um passado não muito instigante? Nhem, não! Nada mais frustrante do que isso. Prefiro permanecer travada e, na falta do que fazer, ter o péssimo e ingênuo hábito de confiar no horóscopo diário que, vez ou outra, insinua melhoras consideráveis em minha vida ("silly!"). Enquanto isso, fico por aqui, à espera de concretizações. Certos abalos sísmicos pra chacoalhar um pouco a monotonia definitivamente são bem-vindos.