
É como um amigo diz: existem coisas que não mudam nunca. Os hábitos são os mesmos ou pelo menos parecidos; os vícios, os piores, como sempre, e até o emprego é aquele mesmo de dez anos atrás, sem muitas perspectivas de mudança ou ascensão. A diferença agora é a forma de encará-lo: com mais maturidade, profissionalismo e responsabilidade (justiça seja feita), virtudes desconhecidas em outros tempos, diga-se de passagem. Em algum aspecto tinha que se evoluir e a cabeça... sim, anda mais ajuizada que antes (embora muitas vezes não pareça), mas ao menos reconheço os momentos em que devo optar pelo que é mais sensato. Convenhamos que uma boa dose de sensatez é bem mais interessante do que as conseqüências de uma vida desregrada e hedonista. Mas depois é sempre aquela velha história, como o hamster correndo em sua roda e que nunca vai a lugar algum. Até mesmo alguns personagens (pra não dizer assombrações) insistem em permanecer na história, o que muitas vezes faz parecer o mesmo cenário de uma década atrás.
A preferência por alvos nem sempre atingíveis é que parece ser imutável, como se já fizesse parte da essência, algo já tão intrinsecamente ligado à personalidade, que mais parece uma inclinação patológica, em pleno século XXI, para o byronismo. Nos tempos de hoje os seguidores do “mal do século” denominar-se-iam "emos"? Bom, então eu me enquadraria perfeitamente nesse rótulo. Sorte que não ligo pra convenções estereotipadas alheias e acredito que até consigo disfarçar bem esse meu lado sentimentalóide. Os alvos nem sempre são os mesmos, mas os obstáculos estão sempre lá, da mesma forma, como se fossem fundamentais para a continuidade de tudo. Como se as barreiras tivessem um sabor bem mais agradável do que as coisas de fácil acesso. Plagiando Brian, personagem de Jason Lee em Vanilla Sky: “the sweet isn’t so sweet without the sour” (o doce não é tão doce sem o amargo). Nada mais verdadeiro. Patético, mas acredito que essa seja a verdade não só pra mim, mas pra muita gente de só conseguir saborear o lado doce da vida depois de ter passado por maus momentos. Essa é a minha verdade.
A teoria da corrida do hamster parece ser absoluta, mas no fundo, deixando o pessimismo um pouco de lado, eu acredito que as coisas ainda vão mudar. Quem sabe amanhã, quem sabe na próxima década, quem sabe só na velhice, mas eu creio que as mudanças ainda virão... Porque tudo na vida tem sua hora certa e nada acontece por acaso.